sábado, 11 de agosto de 2012

O AMANHECER DE SÃO JOÃO

O SURFISTA


O SURFISTA

Graciliano Ramos



Este mar me atrai

Vejo a onda que vai

E a outra que vem

No barranco se estronda

Eu vou nesta onda

Junto com meu bem.



O mar me conquista

Pois sou um bravo surfista

Amigo do tubarão

Vida prazenteira

Em minha prancha ligeira

Eu sou até campeão.



Se meu amor não vem

Eu vou mais além

Para lhe buscar

E no meio de escumas

Vejo as grandes dunas

Na beira do bravo mar.



Esta onda me agita

Tão distante se avista

A samaumeira e o coqueiro

A bela torre da EMBRATEL

Que parece um painel

Acenando de Mosqueiro.




O POETA CABOCLO






O POETA CABOCLO

Graciliano Ramos



Menina me diz teu nome

Eu quero dizer o meu

Me chamo fita encarnada

Naquele vestido teu.



O fogo quando se apaga

Na cinza deixa o calor

E o amor quando se acaba

No coração deixa a dor.



Menina casa comigo

Que você não passa fome

De dia come peru

À noite o peru te come.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

AS PRAIAS DA ILHA

 

Autor: Graciliano Ramos

PRAIA DO AREIÃO

 

Na praia do Areião

Nós sentamos no chão

Para ver o Sol se pôr.

O vento zumbia

Fazendo maresia

Naquela tarde de amor.

 

PRAIA DO BISPO

 

Na praia do Bispo

És sempre meu tipo

Pela noite que cai.

Madrugada vazia

Fizemos o que devia

Lembrança que nunca sai.

 

PRAIA GRANDE

 

Na praia Grande

Nosso amor se expande

Cada dia mais e mais.

Passarinho que canta

Na linda tarde santa

Na beira do cais.

 

A PRAINHA

 

Eu vi na Prainha

Você de sainha

Catando caramujo.

Fiquei apreciando

As ondas chegando

Sem um tico de sujo.

 

PRAIA DO FAROL

 

Na praia do Farol

Você curte o arrebol

Do outro lado do mar.

Ao vento que sacode

Eu canto um lindo pagode

Só pra você dançar.

 

PRAIA DO CHAPÉU VIRADO

 

Do Chapéu Virado

Saí todo molhado

Segurei sua mão.

Fomos em frente

Da sua voz estridente

Escutei sua canção.

 

PRAIA DO PORTO ARTHUR

 

Porto Arthur a grande onda

Na areia se estronda

Quebrando o arrimo.

Reage a natureza

Com sua fortaleza

Contra o homem sem mimo.

 

PRAIA DO MURUBIRA

 

Na praia do Murubira

A multicor se estira

Por todo o calçadão.

Palco da Liberal

Faz o seu carnaval

Para a multidão.

 

PRAIA DO ARIRAMBA

 

Na praia do Ariramba

O Oliveira é bamba

Com seu pastelzinho.

Depois da tarde poente

A luz incandescente

Clareia nosso caminho.

 

PRAIA DO SÃO FRANCISCO

 

Na praia do São Francisco

Pobre médio e rico

Fazem parte da paisagem.

Fotos da maré mansa

Dessa praia que não me cansa

Eu carrego na bagagem.

 

PRAIA DO CARANANDUBA

 

Na praia do Carananduba

O vento diz uba

Na terra das caranãs.

Eu fico de tocaia

Na beira da praia

Para ver as jaçanãs.

 

PRAIA DO CARUARA

 

Na praia do Caruara

Não tem mais arara

Que ali sempre cantava.

Naquele alto torrão

Mora até alemão

Onde o caboclo morava.

 

PRAIA DO MARAHU

 

Na praia do Marahu

Tomei caldo de turu

Para resistir à viagem.

Vi os maçaricos correndo

Nas pedras se escondendo

Enfeitando a paisagem.

 

PRAIA DO PARAÍSO

 

Na praia do Paraíso

Vejo o simples sorriso

De um casal se amando.

A lua no céu clareia

Beijando a fina areia

E um açaizeiro acenando.

 

PRAIA DO PAISSANDU

 

Na praia do Paissandu

Vi um lindo corpo nu

De uma linda praieira.

Naquele elo perdido

De um mundo escondido

À sombra de uma palmeira.

 

PRAIA GRANDE DA BAÍA DO SOL

 

Na praia Grande

Sua beleza se expande

Por toda sua extensão.

O vento se rebela

Levanta a saia dela

Agitando meu coração.

 

PRAIA DO BACURI

 

Na praia do Bacuri

Alguém chegou por ali

E deu este nome frutigostoso.

Naquela parte frontal

Havia um bacurizal

Relembra alguém mais idoso.

 

PRAIA DA CAMBOINHA

 

Na praia da Camboinha

Currais de pedra ali tinha

Sistema de pescaria.

Ali os camboeiros

Despescavam os pesqueiros

Quer de noite quer de dia.

 

PRAIA DA FAZENDINHA

 

 

Na praia da Fazendinha

Ainda tem uma igrejinha

De São Sebastião.

O romeiro se apressa

Para pagar a promessa

Numa grande procissão!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

VIDA DE PESCADOR

 

Autor: Graciliano Ramos

 

Saio do meu mocambo

Mais um dia rotineiro

Com meu remo no ombro

E a pele cor de morango

Por este sol brasileiro.

 

Sou pescador do Norte

No meio deste pampeiro

Minha pele muito forte

Desafia até a morte

Na proa deste veleiro.

 

Quem acha o peixe caro

É só ir para o mar pescar

Pegar ferrada de arraia

Dormir na beira da praia

Sentir o tombo do mar.

 

Chega a tempestade

Com chuva torrencial

O mar não tem piedade

Mas tenho felicidade

No meio deste caudal.

 

Lá vem a pororoca

Fenômeno natural

Passou pela Mocooca

No mar se desemboca

Revirando o manguezal.

 

Se tomo uma cachaça

Para me espertar

A cuia é minha taça

Do porronca sai a fumaça

Para o maruim se afastar.

 

Já pesquei no Amazonas

Conheci Jacques Cousteau

Passei pelas siripanas

Participei de várias façanhas

Conversa de pescador.

 

Ó Virgem Santa Padroeira

Um dia se Deus quiser

Me arranje outra brejeira

Daquele tipo faceira

Não me deixe sem mulher!

quarta-feira, 23 de março de 2011

A NATUREZA DORME

Autor: Graciliano Ramos

Vejo a tarde sumindo;

É triste o seu andar.

A noite vai lhe engolindo

E o Sol a se amontanhar.

 

A Natureza dorme,

No seu habitat.

 

A arara grita o seu nome

E voa pra outro lugar.

A mãe-da-lua se some,

Depois começa a cantar.

 

É tão pequenina,

Mas faz tudo se acordar.

 

Ela chama a lua

Pra vir clarear.

Se esta mata é sua,

Por que lhe expulsar?

 

O mistério da noite

É de arrepiar!

 

Grita Mapinguari,

Capelobo quer se levantar.

A cunha faz qui... qui.. qui..

Mas seu lindo sorriso

Não é pra magoar.

 

Índio velho que se transformou

E não pode mais andar.

 

Pra subir a serra,

Pra rever o mar,

Ver a motosserra

Que vem devastar.

 

O velho quer guerra

Mas nem pode andar.

 

Pra ver aquela estrada

Que ali vai chegar.

A jovem índia estuprada

Vai se apavorar.

 

Barulho das máquinas

Vai se espalhar.

 

Homens com sacola

Vão querer ficar,

Deixando cacos de coca-cola

Para o povo se acidentar.

 

É o princípio do fim,

Tudo vai se acabar!