sábado, 1 de novembro de 2014
sábado, 11 de agosto de 2012
O SURFISTA
O POETA CABOCLO
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
AS PRAIAS DA ILHA
Autor: Graciliano Ramos
PRAIA DO AREIÃO
Na praia do Areião
Nós sentamos no chão
Para ver o Sol se pôr.
O vento zumbia
Fazendo maresia
Naquela tarde de amor.
PRAIA DO BISPO
Na praia do Bispo
És sempre meu tipo
Pela noite que cai.
Madrugada vazia
Fizemos o que devia
Lembrança que nunca sai.
PRAIA GRANDE
Na praia Grande
Nosso amor se expande
Cada dia mais e mais.
Passarinho que canta
Na linda tarde santa
Na beira do cais.
A PRAINHA
Eu vi na Prainha
Você de sainha
Catando caramujo.
Fiquei apreciando
As ondas chegando
Sem um tico de sujo.
PRAIA DO FAROL
Na praia do Farol
Você curte o arrebol
Do outro lado do mar.
Ao vento que sacode
Eu canto um lindo pagode
Só pra você dançar.
PRAIA DO CHAPÉU VIRADO
Do Chapéu Virado
Saí todo molhado
Segurei sua mão.
Fomos em frente
Da sua voz estridente
Escutei sua canção.
PRAIA DO PORTO ARTHUR
Porto Arthur a grande onda
Na areia se estronda
Quebrando o arrimo.
Reage a natureza
Com sua fortaleza
Contra o homem sem mimo.
PRAIA DO MURUBIRA
Na praia do Murubira
A multicor se estira
Por todo o calçadão.
Palco da Liberal
Faz o seu carnaval
Para a multidão.
PRAIA DO ARIRAMBA
Na praia do Ariramba
O Oliveira é bamba
Com seu pastelzinho.
Depois da tarde poente
A luz incandescente
Clareia nosso caminho.
PRAIA DO SÃO FRANCISCO
Na praia do São Francisco
Pobre médio e rico
Fazem parte da paisagem.
Fotos da maré mansa
Dessa praia que não me cansa
Eu carrego na bagagem.
PRAIA DO CARANANDUBA
Na praia do Carananduba
O vento diz uba
Na terra das caranãs.
Eu fico de tocaia
Na beira da praia
Para ver as jaçanãs.
PRAIA DO CARUARA
Na praia do Caruara
Não tem mais arara
Que ali sempre cantava.
Naquele alto torrão
Mora até alemão
Onde o caboclo morava.
PRAIA DO MARAHU
Na praia do Marahu
Tomei caldo de turu
Para resistir à viagem.
Vi os maçaricos correndo
Nas pedras se escondendo
Enfeitando a paisagem.
PRAIA DO PARAÍSO
Na praia do Paraíso
Vejo o simples sorriso
De um casal se amando.
A lua no céu clareia
Beijando a fina areia
E um açaizeiro acenando.
PRAIA DO PAISSANDU
Na praia do Paissandu
Vi um lindo corpo nu
De uma linda praieira.
Naquele elo perdido
De um mundo escondido
À sombra de uma palmeira.
PRAIA GRANDE DA BAÍA DO SOL
Na praia Grande
Sua beleza se expande
Por toda sua extensão.
O vento se rebela
Levanta a saia dela
Agitando meu coração.
PRAIA DO BACURI
Na praia do Bacuri
Alguém chegou por ali
E deu este nome frutigostoso.
Naquela parte frontal
Havia um bacurizal
Relembra alguém mais idoso.
PRAIA DA CAMBOINHA
Na praia da Camboinha
Currais de pedra ali tinha
Sistema de pescaria.
Ali os camboeiros
Despescavam os pesqueiros
Quer de noite quer de dia.
PRAIA DA FAZENDINHA
Na praia da Fazendinha
Ainda tem uma igrejinha
De São Sebastião.
O romeiro se apressa
Para pagar a promessa
Numa grande procissão!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
VIDA DE PESCADOR
Autor: Graciliano Ramos
Saio do meu mocambo
Mais um dia rotineiro
Com meu remo no ombro
E a pele cor de morango
Por este sol brasileiro.
Sou pescador do Norte
No meio deste pampeiro
Minha pele muito forte
Desafia até a morte
Na proa deste veleiro.
Quem acha o peixe caro
É só ir para o mar pescar
Pegar ferrada de arraia
Dormir na beira da praia
Sentir o tombo do mar.
Chega a tempestade
Com chuva torrencial
O mar não tem piedade
Mas tenho felicidade
No meio deste caudal.
Lá vem a pororoca
Fenômeno natural
Passou pela Mocooca
No mar se desemboca
Revirando o manguezal.
Se tomo uma cachaça
Para me espertar
A cuia é minha taça
Do porronca sai a fumaça
Para o maruim se afastar.
Já pesquei no Amazonas
Conheci Jacques Cousteau
Passei pelas siripanas
Participei de várias façanhas
Conversa de pescador.
Ó Virgem Santa Padroeira
Um dia se Deus quiser
Me arranje outra brejeira
Daquele tipo faceira
Não me deixe sem mulher!
quarta-feira, 23 de março de 2011
A NATUREZA DORME
Autor: Graciliano Ramos
Vejo a tarde sumindo;
É triste o seu andar.
A noite vai lhe engolindo
E o Sol a se amontanhar.
A Natureza dorme,
No seu habitat.
A arara grita o seu nome
E voa pra outro lugar.
A mãe-da-lua se some,
Depois começa a cantar.
É tão pequenina,
Mas faz tudo se acordar.
Ela chama a lua
Pra vir clarear.
Se esta mata é sua,
Por que lhe expulsar?
O mistério da noite
É de arrepiar!
Grita Mapinguari,
Capelobo quer se levantar.
A cunha faz qui... qui.. qui..
Mas seu lindo sorriso
Não é pra magoar.
Índio velho que se transformou
E não pode mais andar.
Pra subir a serra,
Pra rever o mar,
Ver a motosserra
Que vem devastar.
O velho quer guerra
Mas nem pode andar.
Pra ver aquela estrada
Que ali vai chegar.
A jovem índia estuprada
Vai se apavorar.
Barulho das máquinas
Vai se espalhar.
Homens com sacola
Vão querer ficar,
Deixando cacos de coca-cola
Para o povo se acidentar.
É o princípio do fim,
Tudo vai se acabar!