sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O AÇAIZEIRO

 

Autor: Graciliano Ramos

Dando adeus ao canoeiro

Que lentamente remando passa

O majestoso açaizeiro

Na margem do ribeiro

Balança quando o vento o abraça.

 

Um dia ao firmamento

Tão depressa queria chegar

Mas cresceu fino e lento

Se curvando para o vento

Não para de bailar.

 

Vive sempre açoitado

Pelo forte pampeiro

Nem que eu venha apressado

Paro pra ver teu bailado

Majestoso açaizeiro!

 

És palco da passarada

Que todo dia vem cantar

Depois da noite calada

O sabiá puxa a toada

E tu começas a dançar.

 

Ninguém ouve meu grito

Pela tua preservação

Exportam todo o teu palmito

Já escasseia teu líquido

Na mesa da população.

 

Afasta-te, grileiro!

Preserve o verde vegetal!

Neste pedaço brasileiro

Eu tenho um açaizeiro

No fundo do meu quintal.

 

(Este poema foi escrito em 1983 e declamado pelo poeta num CLIP produzido e exibido na época pela TV Cultura do Pará.)

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