terça-feira, 23 de novembro de 2010

VER-O-PESO

Autor: Graciliano Ramos

 

Noite chuva madrugada

Chegada do pescador

Vendedores na calçada

A verdura espalhada

Malandro vira doutor.

 

Trabalhar no Ver-o-Peso

É coisa de madrugador.

 

A bajara no teso

Carregada do interlan

De farol ainda aceso

Chegou ao Ver-o-Peso

Às quatro horas da manhã.

 

Nas barracas de plantas

Está o cheiro de hortelã.

 

Tem melão mangaba e manga

Melancia e tucumã

Para o caboclo manhoso

Tem banho cheiroso

Às seis horas da manhã.

 

Drogados, doutores e soldados

Malandro puta e galã.

 

De beleza bendita

E riqueza que há

Emaranhado à vista

Da janela é mais bonita

A baía de Guajará!

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